II Encontro JMV – Os desafios da vida

II Encontro de Espiritualidade Vicentina12291938_1639907299592686_4936427625776755870_o

1-Tema: Os Desafios da Vida.

2- Motivação:

– Comentário: Só encontra sabor em sua vida e em si mesmo quem se aceita e se afirma incondicionalmente. Muitas pessoas se queixam que fracassaram na vida e que sofreram muito. Ficam nessas queixas e se atolam nessas acusações. E têm a impressão de que são colocadas de lado e de que não valem nada. Pelo fato de haver muita vida não vivida dentro delas, não são capazes de se aceitar com sua vida plena. Muitas vezes não estão prontas para aceitar os desafios da vida. Neste encontro queremos partilhar as nossas limitações e desafios que enfrentamos no dia a dia, reconhecendo que Deus nunca nos abandona.

– Oração: Salmo 22.

“O Senhor é meu pastor, nada me faltará;
Em verdes prados ele me faz repousar, conduz-me junto às águas refrescantes.
Restaura as forças de minha alma, pelos caminhos retos Ele me leva, por amor do Seu nome.
Ainda que eu atravessasse o vale escuro, nada temerei, pois estais comigo.
Vosso bordão e Vosso báculo são o meu amparo.
Preparais para mim a mesa à vista de meus inimigos;
Derramais o perfume sobre minha cabeça e transborda minha taça.
A Vossa bondade e misericórdia hão de seguir-me por todos os dias de minha vida,
E habitarei na cada do Senhor por longos dias”.

– Canto:

– Pelos prados e campinas, verdejantes eu vou, é o Senhor que me leva a descansar. Junto às fontes de águas puras repousantes eu vou, minhas forças o Senhor vai animar.
Ref: Tu és Senhor, o meu Pastor, por isto nada em minha vida faltará. (bis)
– Nos caminhos mais seguros junto dele eu vou e pra sempre o seu Nome eu honrarei. Se eu encontro mil abismos nos caminhos eu vou, segurança, sempre tenho em suas mãos.

3- Palavra de Deus – Iluminação Bíblica: 2 Cor 12, 10.

“Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte”.

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4- Iluminação Vicentina:

“Sei que completo hoje o meu quadragésimo aniversário, mais da metade do caminho da vida. Sei que tenho uma mulher jovem e bem amada, uma filha encantadora, excelentes irmãos, uma segunda mãe, muitos amigos, uma carreira honrosa, trabalhos levados precisamente a ponto de poderem servir de fundamento a um trabalho há muito sonhado. No entanto, fui atacado por uma doença grave, obstinada e tão perigosa que provavelmente esconde um esgotamento completo. É necessário, pois, deixar todos estes bens, que Vós, meu Deus, me haveis dado? Não quereis, Senhor, contentar-vos com uma parte do sacrifício? Qual é a que devo sacrificar-vos dentre as minhas afeições desordenadas? Não aceitareis melhor o sacrifício do meu amor próprio literário, das minhas ambições acadêmicas, dos meus projetos mesmo de estudos onde se misturava, talvez, mais o orgulho do que o zelo pela verdade? Se eu vendesse metade dos meus livros para dar o valor aos Pobres e, limitando-me a cumprir os deveres do meu estado, consagrasse o resto de minha vida a visitar os indigentes, a instruir os aprendizes e os soldados… Senhor, ficaríeis satisfeito e deixar-me-ias a ventura de envelhecer junto de minha mulher e completar a educação de minha filha? Talvez, meu Deus, não quereis algo a mais? Não, vós não aceitais estas ofertas interesseiras. Vós recusais os meus holocaustos e os meus sacrifícios. É a mim que quereis. Está escrito no princípio do livro que devo fazer a vossa vontade e eu disse: Aqui estou, Senhor. Aqui estou, Senhor. Aqui estou se me chamardes e não tenho o direito de lastimar. Destes-me quarenta anos de vida… Ah! Se estas páginas são as últimas que escrevo, que elas sejam um hino à vossa bondade!”(Carta do Bem-Aventurado Frederico Ozanam ao Padre Pendola, de 19 de julho de 1853, e de uma oração, escrita a 23 de abril de 1853).

5- Reflexão pessoal e partilha.

– Quais são os principais desafios da nossa vida e como enfrentamos estes desafios?
– Quando nos sentimos incapazes de lidar com algumas fraquezas na vida quais são as nossas atitudes?
– Em que momentos de sofrimento fomos capazes de perceber a presença de Deus em nossa vida?

Anexo: Pequeno comentário para a iluminação bíblica.

Paulo faz uma afirmação difícil de entender, e mais difícil ainda de aplicar na nossa vida: e “Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2 Coríntios 12,10). Atrás dessas palavras enigmáticas encontramos algumas lições importantes e edificantes. É necessário entender o que Paulo disse e como aplicar esse ensinamento quando enfrentamos dificuldades. Muitas vezes, ao invés de tirar os problemas das nossas vidas, precisamos compreender como utilizá-los para o nosso bem. Deus amou Paulo, mas ele não o poupou de todo sofrimento. Jamais devemos interpretar problemas como sinais do desprezo de Deus. Nas tribulações, o Apóstolo Paulo aprendeu depender da graça do Senhor. Quando sentimos que temos tudo sob controle por causa da nossa própria capacidade, facilmente esquecemos de Deus. Nas horas de maior fraqueza, quando sentimos incapazes de resolver os nossos problemas sozinhos, tendemos a voltar para Deus e nos entregar na mão Dele. Nossa inteligência não nos basta. Nossos recursos financeiros não nos bastam. Nossos amigos não conseguem preencher as nossas necessidades. A graça de Deus nos basta, e a sua força se manifesta através da nossa fraqueza. As palavras de Paulo em 2 Coríntios 12,10 são impressionantes, refletindo uma maturidade espiritual que poucos alcançam: “Pelo isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.” O comentário de Paulo não trata de alguma prática louca de autoflagelação, mas de sua capacidade de confiar plenamente no Senhor. Ele entendeu que o sofrimento nos oferece oportunidades para aproximar mais de Deus, e Paulo aproveitou tais oportunidades ao máximo. Quando Paulo confiou plenamente em Cristo, se esvaziando do orgulho e da idéia de ser autônomo, ele ganhou força bem maior. Cristo vivendo em Paulo era infinitamente mais forte do que Paulo sozinho.Enfrentamos perseguições, angústias, fraquezas, necessidades, etc. Quando nos encontramos nessas situações, vamos ter a fé e a coragem que Paulo mostrou para aproveitar a oportunidade e crescer espiritualmente. Quando nos entregamos a Cristo, encontramos a graça e a força verdadeira.

Pe. Alexandre Nahass Franco,CM
Diretor Provincial da JMV – Província Rio de Janeiro