A Palavra do Diretor

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Homilia da Missa do dia 18 de Julho de 2016

Santuário Nossa Senhora da Medalha Milagrosa

Rio de Janeiro-RJ

Estimados Irmãos e Irmãs,

A Antífona da entrada da Liturgia desta segunda-feira, já nos coloca no sentido desta celebração de hoje:

É Deus quem me ajuda, é o Senhor quem defende a minha vida. Senhor, de todo o coração hei de vos oferecer o sacrifício e dar graças ao vosso nome, porque sois bom! Estamos aqui juntos celebrando e reconhecendo a bondade do Senhor na vida de cada um de nós…

Mas infelizmente, no evangelho de hoje algumas pessoas tem a grande dificuldade de reconhecer esta bondade do Senhor Jesus.

Vejam bem: seus milagres despertavam a curiosidade de muitos, sobretudo de algumas lideranças religiosas como os Escribas e os Fariseus, que queriam muito presenciar um milagre, embora tivessem muita dificuldade de acolher a pessoas de Jesus.

Queriam reduzir Jesus a um simples “realizador de milagres”, com gestos poderosos para se exibir e iludir o povo.

Só que Jesus se recusa a satisfazer os desejos destas lideranças religiosas.

Pois eles não reconheciam nos milagres de Jesus a origem divina de sua missão. E mesmo com esta dureza de coração, em parte, Jesus responde ao pedido deles, dizendo que um sinal lhes seria oferecido: o Filho do Homem ficaria três dias e três noites no seio da Terra, tempo transcorrido por Jonas no ventre de um peixe.

Ou seja, teriam a Ressurreição como sinal para compreender quem, afinal, era Jesus. Mas como eles estavam fechados ao projeto de Jesus, dificilmente seriam capazes de acolher a Ressurreição e reconhecer que Jesus era a ação amorosa do Pai.

E por essa sua atitude, os escribas e fariseus acabavam se privando de participar deste amor misericordioso.

Fico pensando, em quantas vezes, também nós, como os fariseus e os escribas, exigimos de Deus sinais extraordinários, como se Ele estivesse pronto a satisfazer mecanicamente todos os nossos caprichos.

Deus quer estabelecer conosco é uma relação pessoal na liberdade e na responsabilidade.

Quer ajudar-nos a crescer sempre através de sua infinita misericórdia!

Deus quer que nos preocupemos em amadurecer na fé e a nossa relação com Ele.

Por isso temos que resistir à tentação de querer “ver e tocar” para crer.

Com todo respeito eu digo isto a vocês, quanta gente anda, ainda hoje, atrás de magias e superstições, na tentativa de “ver” e “tocar” o invisível e o intocável, gastando tempo e dinheiro!

Acredito que esta Celebração de hoje é um grande momento para ajudar a interrogar e a amadurecer a nossa Fé num grande espírito missionário que a Família Vicentina e os devotos de Nossa Senhora das Graças, a Virgem da Medalha, são chamados a viver na Igreja.

Celebramos hoje a primeira aparição da Virgem Maria a Santa Catarina Labouré!

Em 18 de Julho de 1830 na França, Maria vai ao encontro de Catarina.

Podemos rezar que este encontro de Maria com Catarina, não é algo tão extraordinário, mas um encontro Missionário verdadeiramente vicentino, pois Maria chama a atenção de Catarina sobre a miséria das crianças e dos jovens que sofrem injustiças e indiferença e exprime claramente o desejo da fundação duma Associação ao serviço destes jovens para lhes dar uma educação humana e cristã.

Deixa-nos este grande fruto, que conhecemos hoje como Juventude Mariana Vicentina.

O Pedido de Maria é como uma chama que não se apaga, pois está no coração de Deus o desejo de manter esta Associação viva e evangelizando e formando Jovens a serviço dos mais pobres!

A primeira aparição não é uma experiência intimista de Catarina Labouré, na tentação de querer “ver e tocar” para crer.

A aparição também não se torna um parêntese na vida desta Filha da Caridade, mas uma grande luz para sua vida de serviço aos pobres!

É a mensagem que nos trás hoje a 1ª Leitura do Profeta Miquéias:

Deus não quer de nós ofertas mirabolantes.

Catarina foi a Santa do Silêncio.

Nada de querer aparecer.

A 1ª Leitura descreve muito bem esta Filha da Caridade no versículo 8: “que pratiques a justiça, que ames a bondade, e que andes com humildade diante do teu Deus”

O “extraordinário”, que Deus pretende de nós ( e que os escribas e fariseus não conseguiram perceber no evangelho de hoje) é que caminhemos com Ele na simplicidade, abrindo-nos aos seus dons e às suas inspirações.

Foi justamente esta grande inspiração de Catarina Labouré na 1ª aparição que celebramos hoje, e que como as luzes que acendemos hoje, esta experiência de Catarina possa iluminar a nossa vida!

Abrir com simplicidade e humildade os nossos os olhos da fé para reconhecer a grande luz que é Jesus em nossa vida!

Que voltemos nossos olhares a Deus pedindo a Ele que possa nos manter perseverantes nesta Missão que a Virgem Santa confiou a Santa Catarina. Como Família Vicentina, como devotos de Nossa Senhora das Graças, somos sucessores deste pedido de Maria a Catarina e precisamos levá-lo adiante.

Não percamos de vista nosso ideal de missionários e missionárias da caridade!

Que a Eucaristia ligado ao serviço dos irmãos, indicada também por Maria a Catarina na 1ª aparição como Centro da Fé Cristã, seja em nossa vida, a presença justa, bondosa e humilde do Senhor que nos ama e cuida de cada um de nós!

Feliz dia 18 de Julho e que a Virgem da Medalha Milagrosa interceda sempre por cada um de nós e pelas nossas necessidades!

Viva a Juventude Mariana Vicentina!

Pe. Alexandre Nahass Franco,CM
Diretor Provincial da JMV – Província do Rio de Janeiro